De todas as obras já escritas no que se refere à sexualidade humana, o Kama Sutra é sem dúvida a mais importante e influente. Escrito pelo religioso Vatsyayana Mallanaga em meados de 320-540 d.C (considerado o período clássico da cultura na Índia), o Kama Sutra é um apanhado de ensinamentos e tradições que naqueles dias eram transmitidos de forma oral, já que na época a habilidade de ler e escrever não era privilégio de todos.
Ao longo da história, o Kama Sutra adquiriu uma certa má reputação que acabou por obscurecer seu valor como obra literária, ao ser encarado como nada além de uma lista de posições sexuais e usado como pretexto para vender diversos livros contendo listas de posições, ou mesmo mera pornografia. Na realidade, o livro é um importante documento sobre a história da sexualidade humana, instruindo amantes na arte da sedução, em como cortejar, como conduzir uma discussão com o(a) parceiro(a), diversas técnicas de beijo, entre outros aspectos.
O Kama Sutra recebeu sua versão ocidental definitiva somente em 1883, quando foi traduzido e adaptado pelo lingüista inglês Richard Burton. Devido aos costumes da época, a linguagem do Kama Sutra que originalmente era direta e explícita – ainda que estivesse longe de ser pornográfica – foi enriquecida com floreios e descrições mais poéticas.
Ainda que alguns costumes da época pareçam estranhos aos nossos olhos, a maneira natural com que nossa sexualidade é tratada no Kama Sutra, em oposição à maioria dos trabalhos eróticos modernos, repletos de pontos de vista – sem mencionar a pornografia –, tem fascinado homens e mulheres das mais diversas culturas até os dias atuais.